"Eu louvo a dança, pois ela liberta o ser humano do peso das coisas, une o solitário a comunidade. Eu louvo a dança, que tudo pede e tudo promove: saúde, mente calma e um alma alada. Dança é a transformação do espaço, do tempo e do ser humano, este constantemente em perigo de fragmentar-se, tornando-se somente cérebro, vontade ou sofrimento. A dança, ao contrário, pede o homem inteiro, ancorado no seu centro." (Santo Agostinho)
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Nos dias difíceis....
Não nos iludamos. Infelizmente, mesmo praticando a Dança do Ventre e conhecendo, através dela, muitas mulheres e homens especiais, ainda temos que conviver com todos os tipos de pessoas em nosso cotidiano, e há pessoas sem caráter no mundo, é fato. Não temos como evitar situações de estresse, mesmo quando agimos certo. No mundo, ainda há gente invejosa, gente arrogante, gente desonesta, gente mentirosa, gente que "vende a alma ao diabo" por motivos que, na minha opinião, não valem nem um pouco a pena. Mas tem, sim, quem acredite que os fins justificam os meios. A prática da Dança não afasta totalmente esse tipo de indivíduos do nosso convívio diário. E vão continuar a ocorrer aqueles momentos em que nos sentimos tristes, perdidas, desmotivadas, abandonadas. Aqueles momentos em que tomamos um porre pra esquecer e que acabamos fumando para nos acalmar, mesmo sabendo que não adianta patavina. Horas em que achamos que as coisas não vão dar certo, mesmo sabendo, lá no fundo, que todo túnel tem sua luz no fim.
Todavia, a Dança fornece, pelo menos no meu caso, ferramentas para lidar melhor com as situações desagradáveis que enfrentamos em nossa jornada. De verdade mesmo, tem dias que se não fosse pela minha aula de DV, eu teria ido para a rodoviária, visto o horário do próximo ônibus para o lugar mais longe que tivesse, e sumido do mapa. Começado do zero. Só que "abacaxis" existem em todos os locais do planeta onde existem seres "humanos" (nem sempre essas palavras casam perfeitamente, já aprendi. Há quem seja apenas "Ser", sem nenhuma humanidade genuína, nenhuma gentileza, nenhuma caridade ou respeito pelo próximo).
A Dança nos lembra quem somos, o que valemos e que não devemos desistir nunca de sermos felizes, pois nascemos com esse propósito! Dançando, mexemos com forças dentro de nós que nem sabíamos possuir, despertamos uma leoa, uma guerreira!!!!! Dançar é libertador, é uma atividade que remonta à nossa Alma e a reconforta, dá aquela sensação de "colo de mãe"! Não é à toa que Santo Agostinho louva a Dança. Dançar é uma oração, uma prece!
A Dança do Ventre, diferentemente de muitos setores da esfera social, não exclui, ela AGREGA! Vejo mulheres de todos os tipos físicos e das mais variadas idades praticando a DV, e isso é lindo, é mágico!!!! Não é algo que vemos sempre, nesse planeta cheio de "divisões", de "hierarquias". O mundo precisaria ser mais parecido com uma aula de Dança.... Mulheres que nunca se viram antes logo estão, do nada, confraternizando, conversando sobre os movimentos e as dificuldades de cada uma em executar um passo ou outro, trocando dicas, empolgando-se com a roupa nova que farão.... Trocando elogios, admirando-se, COLABORANDO uma com as outras..... Ah, se o mundo fosse mais como um palco de Dança do Ventre, com o qual egos inflados não combinam (e pior que é sério, já percebi que gente egocêntrica acaba se afastando disso, não aguenta a "vibração" de Paz que emana no ambiente!!! Deve ser porque não sobra espaço para exercer a onipotência que está acostumada a exalar, essa pessoa não pode ser o "centro das atenções" como tanto lhe apraz normamelmente.... A Dança do Ventre prega autoestima, não arrogância! Então, a pessoa simplesmente não se sente à vontade, ela é um quadrado tentando se encaixar num círculo.
É, eu louvo meeeesmo a Dança.... Ela realmente liberta o ser humano do peso das coisas e torna os fardos mais leves.... Ela ensina que há outras formas de viver sem essa competitividade exacerbada que o dia-a-dia quer exigir de nós!!!!! Eu louvo a Dança!!!!!!!
Como P.S., um conselhinho final básico: NUNCA faltem da aula de DV, por PIOR ou mais cansativo que o dia tenha sido! Uma aula de dança muda verdadeiramente toda a história de um dia, falo por experiência própria!!! ;-)
sábado, 7 de abril de 2012
Despertando a Deusa interior!
Acho que posso dizer, sem sombra de dúvidas, que um dos motivos de eu ter iniciado a prática de dança do ventre foi desespero puro!!!! Após um 2010 cujo saldo final era os setores sentimental e profissional em destroços, uma mudança de volta para Araraquara (sentindo-me "com o rabo entre as pernas") e um sentimento de desorientação total, restava apenas uma saída para a Ana Luiza: juntar os caquinhos, físicos e emocionais, e RECOMEÇAR! Mas aí vem a pergunta que nunca se cala nessas situações: recomeçar por onde?? Foi quando veio um clamor interior de resgatar um sonho antigo e esquecido no quartinho dos fundos da minha mente: fazer Dança do Ventre!! Logicamente, vieram alguns contras.... "Dança do Ventre? Nãããão, pra que? Vai fazer Dança de Salão, Dança do Ventre só vai ter mulher!"..... "Dança do Ventre??? Tá pensando em dançar pra algum Saidi, é???? Tá querendo aprender Dança dos Sete Véus?". Mas acho que, a essa altura do campeonato, eu já me sentia tão no fundo do poço e de saco estourado que não ouvia mais ninguém. Fora que eu tinha plena noção de que precisava urgentemente fazer algum tipo de exercício físico para produzir serotonina, pois havia sido diagnosticado, há um bom tempo, que não produzia essa substância suficientemente, o que acelera os passos em direção a uma depressão (e tudo o que eu não precisava era ficar mais deprimida do que já estava!):
"A serotonina desempenha um importante papel no sistema nervoso, com diversas funções, como a liberação de alguns hormônios, a regulação do sono, da temperatura corporal, do apetite, do humor, da atividade motora e das funções cognitivas. A serotonina pode melhorar o humor, causando uma sensação de bem-estar e sua falta tem sido relacionada a doenças graves, como mal de Parkinson, distonia neuromuscular e tremores. Pode causar também depressão, ansiedade, comportamento compulsivo, agressividade, problemas afetivos e aumento do desejo de ingerir doces e carboidratos."
(Fonte: site da CyberDiet - Programa de Apoio ao Emagrecimento
http://cyberdiet.terra.com.br/serotonina-e-sua-relacao-com-o-consumo-de-doces-7-1-6-625.html)
É, às vezes a revolta e o fundo do poço podem ser seus melhores conselheiros, se bem utilizados. Decidida, perguntei a respeito para algumas pessoas e uma amiga queridíssima que já praticava, a Marcela, indicou-me: "Ana, em Araraquara tem uma das melhores professoras do País, a Ju Marconato!". Fui dar uma olhada no site do Núcleo e aí o estrago foi feito de vez rsrs!, a velha chama reacendeu com força total ao ver as fotos daquela "deusa intocável" (era o que a gracinha da Ju me parecia na época... tb, dá uma olhadinha na foto!!!!!). Eu TINHA que ter aulas com aquela mulher de olhar penetrante!!!!!!
Mandei um e-mail para me informar e recebi os horários de turmas para iniciantes e o local do Núcleo. Lógico, já veio o primeiro empecilho: apesar de ser ridiculamente perto de uma das principais avenidas de Araraquara, eu não fazia ideia de como chegar lá ou explicar como chegar a um táxi, e não dirigia na época nem tinha carro... Entretanto, o grito de liberdade soava tão forte dentro de mim, a necessidade de chegar àquele lugar por algum motivo que não sabia explicar (hoje sei bem....) era tão intensa, que fui ao Google Maps, entendi mais ou menos como ir, marquei aula e chamei um táxi mesmo. Demos umas três voltas até achar, pois tive a "bênção" de pegar um motorista mais perdido do que eu, imagina!! rsrsrs!!!! - Hoje entendo claramente que era o Universo conspirando contra mim, pois Ele sempre responde de acordo com o que emitimos e, naquele tempo, eu só emanava negatividade. Mas, graças a Deus, o desejo de quebrar o padrão mental no qual me encontrava foi maior, e cheguei ao Núcleo!!
É claro que meu consciente estragado pensou "o que que você está fazendo aqui, pra que isso?" quando comecei minha primeira aula, um tanto quanto desajeitada e sem graça. Impressionante a capacidade que a mente tem, quando estamos mergulhadas na depressão, de procurar "se defender" e boicotar qualquer tentativa de quebrar o ciclo contínuo de baixa autoestima!!!!!! Apesar desse "mal-estar" (que não era mal-estar coisa nenhuma, na verdade eram meu corpo e minha Alma estranhando o bem-estar e a profunda Paz que sentiam pela primeira vez em muito tempo....), fui teimosa e continuei a frequentar as aulas! Eu queria reagir, meu verdadeiro EU exigia de mim essa reação!!! Mas como era difícil quando a professora Camila pedia que eu sorrisse, que eu me sentisse bonita.... A sensação que aquelas frases me provocavam eram a de estar num episódio de Além da Imaginação!!!!!!
Contudo, com o passar do tempo, a Camila disse algo que eu nunca vou esquecer: "Por volta de uns três a seis meses que estiverem fazendo aulas, vocês vão começar a querer abandonar, vão achar que não estão progredindo! É a mudança ocorrendo dentro de vocês, resistam, passem essa fase!". Foi exatamente o que ocorreu! Fazia uns quatro meses que eu frequentava o Núcleo (P.S.: nesse ponto, já ia para lá - aos trancos e barrancos, devo admitir! kkkk!- com um carro gentilmente cedido pela minha família para trabalhar e fazer minhas atividades. Após pouco mais de 30 anos sem realmente dirigir e uma carteira de motorista renovada recentemente, mas nunca utilizada desde os 18 anos, estava guiando..... não apenas um veículo, mas MINHA VIDA!), quando comecei a me sentir incomodada e estranha..... Era a mudança interna, era o desenvolvimento, era um amor próprio que eu nem sequer era capaz de reconhecer surgindo. Não tem como explicar exatamente, só quem viveu o processo para saber o que é!!!!
Foi bem nesse período que o BOOM dessa transformação ocorreu. Eu comecei a ter aulas com Ju Marconato em pessoaaaaa!!! E que bobeira, no começo eu tive medo de falar com ela, achava que não era digna! Quem conhece o amorzinho de pessoa que ela é sabe bem o absurdoooo que é sentir receio de falar com a Ju, uma das pessoas mais calorosas e receptivas que poderia existir no planetaaaa, mas eu realmente me senti acanhada! Afinal, era a Musa das fotos ao vivo e a cores e me dando aula!!!!!!! Hoje, ela já tem intimidade suficiente comigo pra morder meu dedo indicador..... kkkkk!
Nunca imaginaria isso quando comecei a fazer Dança do Ventre, mas ao final de cada aula, tanto a Camila quanto a Ju (e depois vim a descobrir que todas as professoras do Núcleo realizam essa prática) colocavam uma música relaxante ou um CD de mensagens sobre autoestima, exaltando a mulher e a feminilidade, chamando-nos a despertar a "Deusa" que existe em cada uma de nós. No começo, os conselhos das duas ("quando vierem para as aulas, usem bijuterias e adereços que não usariam no dia-a-dia, como uma flor grande no cabelo ou brincos e pulseiras maiores.... Passem maquiagem meeesmo, lápis em volta dos olhos e sombras marcantes, venham bem femininas! Exercitem esse lado que, muitas vezes, o cotidiano e o trabalho não permitem!") e aquelas mensagens de enaltecimento de mim mesma apenas faziam eu me sentir bem, mas ainda não tinham tocado, de fato, meu EU. Porém, timidamente, as ideias por elas transmitidas começaram a ser assimiladas e colocadas em prática.... Ao visitar meus pais, "resgatei" um monte de bijus e lenços antigos que jamais usaria para sair ou trabalhar, mas que se encaixavam perfeitamente numa aula de Dança do Ventre! Também resgatei, inclusive no dia-a-dia, o uso do lápis preto de olho como parte da minha maquiagem básica..... E, aos poucos comecei a me olhar diferente enquanto dançava.... A sentir um baita orgulho de mim mesma quando conseguia executar um passo, mesmo que meio "capengamente" a príncipio..... E, o mais importante, quando menos percebi, estava resgatando a Ana, fazendo as pazes com ela como nunca antes..... A Deusa estava sendo despertada, talvez pela primeira vez, talvez após tanto tempo que eu era incapaz de lembrar quando ela tinha dado as caras pela última vez!!
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